[Aprendi a sofrer em silêncio, quando percebi que ninguém queria escutar.]

domingo, 19 de julho de 2009

"Quando o avião decolou..."


O lindo móbile de origami colore o quarto iluminado pelo abajur de borboletas. Livros, cds e alguns dvds novos compõe o espaço em uma saudade sem fim e a inunda em um cheiro tão particular quanto o do asfalto quente molhado. Restou apenas o silêncio e a falta do pólen da flor de plástico da sala.
Em si, apenas ela sabe, podia sentir o antigo perfume pelos cômodos da casa, a ausência em tomar banho, o encaiche torto e perfeito da cama de solteiro e as conversas horas a fio sobre coisas bobas.
Uma antítese em sentimentos: a espera pelo sorriso grandioso em lábios que recortaria em fotografias e a certeza de que tempo excasso que ocorreu entre seus corpos fora vital em um confronto grandioso que lhe garantia paz na distância de exatos 141 dias, mas que a salvaguarda daquelas mãos por suas costas parcia distante dia após dia, e realmente estava, porém permanecia em elo findado entre os lençóis emaranhados, os espaços de saudade, os choros escondidos e outros tantos não desabafados.
O excesso de expectativas e muitas vezes falta delas, ainda não sabia como levar o coração mesmo que em pedaços de poeira cósmica.

A fumaça inundava o ambiente, hostil agora, e nessa ausência do encaixe e dos cabelos desgrenhados das tardes de domingo e conseguiu apenas um boa noite, via skype, deixando de dizer o mais importante, o complemento do título e que ficou apenas no rodapé do caderno:

"...levou contigo meu coração, meus sonos fartos no sofá da sala, seus cheiros permanecem forte em minhas roupas de cama e meu coração dorme o tempo inteiro em teus braços."

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